Assine
Entrevista

22/06/2023

Gerente de sustentabilidade da Via fala sobre desafios de ESG

Com lojas espalhadas pelo Brasil inteiro, a Via – responsável pelas marcas Casas Bahia e Ponto – alcança 100 milhões de clientes, um número que brilha aos olhos dos investidores preocupados com as vendas, mas que também mostra o tamanho de sua influência nos temas relacionados à sustentabilidade.

Ciente desse impacto, a Via desenvolve ações em que compartilha a responsabilidade do impacto positivo com o seu público. Um exemplo é o programa Reviva, que oferece ao público coletores para reciclagem de materiais como papel, plástico e eletroeletrônicos.

A companhia ainda desenvolve diversas outras ações que foram detalhadas no Relatório Anual de 2022, divulgado em maio de 2023. Para falar mais sobre esses resultados, o MARCAS COM CAUSA conversou com a gerente de sustentabilidade da Via, Vanessa Romero.

Confira a entrevista:

A Via divulgou seu relatório anual de 2022 com vários de seus resultados e é sempre simbólico que os números de ESG estejam lado a lado dos números financeiros. Você acredita que o mercado já entendeu que sustentabilidade não está mais no campo só do propósito, mas também é assunto estratégico e que afeta o caixa?

Acredito que sim, porque é um aspecto muito evidente na reputação e no relacionamento com os stakeholders. Se uma organização não tem avanço nas questões de diversidade, se ela não cuida do seu impacto ambiental, naturalmente será cobrada por todos os stakeholders. E não tem como fazer uma comunicação interna e outra externa: as pessoas vivem as diversas experiências com as marcas, tudo é divulgado de forma muito plena nos canais de comunicação. Se as organizações não forem sensíveis e priorizarem o tema certamente terão impacto financeiro e isso é muito mais visível hoje.

Um dos resultados divulgados pela Via na área de sustentabilidade foi o uso de energia de fontes limpas. A empresa ultrapassou a meta de 50% para o ano de 2022 e atingiu a marca de 61%. Você pode detalhar as medidas que a Via vem adotando para conseguir esse resultado?

Temos uma área que faz a gestão dessa energia de algumas formas. Nas lojas menores que fazem uso de baixa tensão, a solução é a geração de energia distribuída, através das fazendas solares. Nas lojas que fazem uso de alta e média tensão a solução é o mercado livre de energia, com a compra de energia incentivada que é proveniente de fontes de menor impacto, como eólica, solar e pequenas centrais hidrelétricas. Quando olhamos pro resultado de 2022 realmente merece destaque porque foi um crescimento grande, fruto do nosso foco para atingir a meta. 

Falando em energia, a Via tem um projeto muito interessante com carros elétricos que foram incluídos em sua frota em 2021 para ajudar em outra meta que é a redução de emissão de CO2, certo?

Sim, hoje temos alguns veículos elétricos que são utilizados na frota, mas nos últimos anos, o que mais trouxe resultado na redução de emissão de gases de efeito estufa foi uma estratégia de aliar tecnologia e logística. Pegamos esse conhecimento que temos sobre o negócio de fazer entregas e aliamos à tecnologia para distribuir de tal forma que menos veículos façam mais viagens. Programamos as rotas para que os veículos estejam na sua capacidade máxima e andando o menos possível. Para isso, o setor de logística fez um grande movimento de olhar para os centros de distribuição, para as lojas que são consideradas mini hubs, para o serviço de retira rápido, que está no meio do caminho do cliente, para que tenhamos menos impacto no andar e no emitir gases de efeito estufa. Então, mais do que os veículos elétricos que a gente ainda está testando, toda essa inteligência na área de logística tem contribuído muito com a redução de emissão de gases.

Esse é um exemplo interessante de como uma área diferente, como logística, pode estar diretamente ligada à sustentabilidade. Na Via, a sustentabilidade é vista como uma área transversal às demais?

Sim, a gente que trabalha com sustentabilidade tem esse papel de atuar em diversas áreas porque justamente estamos nos diversos processos. E esse é um desafio da área de sustentabilidade: ela não está na operação, mas precisa que as operações que estão ali à frente do negócio repensem seus processos, se auto desafiem, pensando em redução de impacto e como avançamos em questões como, por exemplo, diversidade.

O relatório também mostrou crescimento de 74%  no programa de reciclagem Reviva. Você pode explicar como esse programa funciona e como, além de ajudar o meio ambiente, também gera impacto social?

Esse programa existe há bastante tempo e a frente mais antiga dele é de coleta de materiais recicláveis. Na nossa operação, seja escritórios, centro de distribuição ou lojas, temos uma série de materiais como papel, papelão, plástico e isopor, que são materiais recicláveis de muito valor. Todo esse material é coletado através da nossa própria logística: o mesmo caminhão que chega com mercadoria, volta com material reciclável. Esses resíduos vão para cooperativas de reciclagem, gerando renda para diversas famílias. Por isso esse projeto tem tanto impacto ambiental, pois esse resíduo deixa de ir para o meio ambiente, como impacto social, pois gera renda para os cooperados. 

E qual é a frente mais recente do Reviva?

É a de coleta de materiais eletroeletrônicos. Temos coletores nas lojas e nos escritórios onde qualquer pessoa pode descartar equipamentos quebrados ou sem uso. Esse material é encaminhado para uma empresa parceira, que é a Green Eletro, que dá a destinação correta aos materiais. O crescimento desse projeto se deve às campanhas que fazemos, mas também à maturidade dele. Temos trabalhado para que a mensagem chegue ao consumidor e, antes disso, ao colaborador da loja para que ele entenda e valorize esse processo e passe isso para o consumidor. No fim das contas, a gente ajuda a resolver um problema do mundo porque todos nós temos algo para descartar.

Uma questão interessante sobre esse programa Reviva é que ele envolve os clientes nesse processo de pensar a sustentabilidade. Qual a importância disso? 

Na sustentabilidade a gente caminha no coletivo, a gente precisa ir junto. Quando o consumidor entra na loja e eu mostro pra ele que tem um coletor de um material reciclável, ele vê aquilo como uma solução. Ou, às vezes, ele reflete e percebe que nem tinha pensado nisso, mas que pode descartar algo que está em casa. O que a gente faz é um convite ao cliente: vamos juntos reduzir o impacto no meio ambiente? É uma forma mais coletiva de tratar os nossos problemas.

Desenvolver ações de impacto socioambiental positivo deve ser uma preocupação de todos os setores. Mas, como o varejo se destaca nessa missão? 

O varejo, especialmente nesse modelo que tem loja física e digital, lida com um número muito grande de pessoas, então esse é o potencial. E esse é o motivo pelo qual o varejo tem que levantar essas bandeiras: é um setor que impacta muita gente, tanto física quanto digitalmente. Então faz todo sentido trazer essas causas para ajudarmos a acelerar essa agenda da sustentabilidade no país.

 

Por Thaíne Belissa

Torne-se uma
Marca Com
Causa Grafismo Grafismo Grafismo

Se a sua marca quer gerar valor real para a sociedade e ainda se conectar com uma comunidade engajada, venha fazer parte desse movimento com a gente

Entre em contato
Grafismo Grafismo