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Entrevista

10/08/2023

Nuu Alimentos transforma sua produção em prol do meio ambiente

Quando a empresária Rafaela Gontijo decidiu abrir a Nuu Alimentos para preservar o sabor e a simplicidade da receita do pão de queijo mineiro, ela não imaginava que esse seria o início de uma história que traria muitos outros significados para essa ideia de “preservação”.

Com indústria em Patos de Minas, no interior de Minas Gerais, a empresa especializada em alimentos congelados viveu uma transformação durante a pandemia e embarcou em uma jornada regenerativa que inclui compensação de carbono e de embalagens, além de um trabalho junto à cadeia de fornecedores para garantir uma produção sustentável

Criada em 2015, a empresa produzia a partir de uma indústria terceirizada e vendia em feirinhas de produtos no Rio de Janeiro. Em pouco tempo, o negócio foi crescendo e ganhando grandes redes varejistas como Pão de Açúcar, Carrefour, Zona Sul e cafeterias em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Santa Catarina.

A grande mudança na produção aconteceu em 2020, quando a fundadora Rafaela Gontijo ficou grávida de gêmeas e, durante o período de isolamento, se mudou para Patos de Minas. Foi lá que ela iniciou uma profunda investigação sobre o impacto da Nuu Alimentos no planeta.

“Foi um ano inteiro de muito estudo sobre como essa empresa que eu estava criando ia impactar o futuro que as minhas filhas vão viver. Investigamos os ODS e entendemos que os temas ligados à causa climática eram os mais importantes pra gente. Estudamos toda a nossa cadeia: do solo ao prato, entendendo onde estavam as  principais fontes de emissão de gases de efeito estufa”, relata.

A partir dessa investigação, a empresa reestruturou sua gestão a partir de três verticais: cadeia de valor, manufatura e produto. A ideia era pensar em soluções sustentáveis para cada uma dessas áreas.

Produção

A Nuu Alimentos inaugurou sua própria fábrica, concebida com base na lógica da economia circular e em práticas sustentáveis. A indústria conta com placas de energia fotovoltaica, que geram significativa economia de energia, captação de água da chuva, fossa filtro para tratamento de efluentes, piso de concregrama para absorção de água, janelas amplas para aproveitamento de luz natural, telha termoacústica para controle térmico e composteira para resíduos orgânicos. Além disso, a empresa opera com 100% de compensação de embalagens pelo selo Eu Reciclo.

Com foco em sustentabilidade e carbono neutro, a Nuu mede suas emissões de gases de efeito estufa considerando toda a cadeia, desde a produção da matéria-prima até o produto final. As emissões calculadas em 2021, que totalizaram 585 toneladas, foram compensadas por meio de projetos de preservação da Floresta Amazônica em Paragominas, no Pará. A empresa segue mantendo esse compromisso, ajustando e atualizando os cálculos de carbono à medida que sua produção cresce.

Além de suas práticas internas, a Nuu recebeu reconhecimento e investimentos para expandir operações sustentáveis. A companhia continua a reforçar seu compromisso com práticas ambientais responsáveis, economia circular e inovação sustentável em toda a cadeia produtiva.

Produtos

Na vertical de produtos, as ações focaram a preservação dos sabores e cultura locais. A marca começou a substituir referências internacionais pelas brasileiras. Um exemplo é a pizza de pepperoni, que é um produto tipicamente italiano, que foi substituída pela pizza de linguiça mineira artesanal.

Outros produtos também trazem essa referência local, como a pizza de queijo com goiabada e a pizza de frango, que é anunciada como uma “experiência caipira”. Para Rafaela, essas são mudanças que parecem simples, mas que trazem valor para os produtos locais, beneficiando as famílias de produtores.

Cadeia de valor

A fundadora afirma que as mudanças na cadeia de valor foram as mais desafiadoras, principalmente por ser essa vertical que mais gera emissão de gases de efeito estufa em todo o processo produtivo da Nuu Alimentos.

“Nossa cadeia de valor são os produtos de origem animal, como leite e ovos. Mas não queríamos mudar isso porque são a base das nossas receitas, então a solução foi mexer na cadeia de produção. Investimos na produção local e, hoje, 80% dos nossos fornecedores estão em um raio de 40 km da fábrica”, diz.

Para a CEO, embarcar nessa jornada regenerativa é um caminho sem volta. “Hoje, quando olho o que fazemos sei que avançamos muito, mas tenho aquela sensação de que ainda falta muito. Há muitos problemas relacionados à questão climática, à igualdade de gênero, às relações justas de trabalho que precisam ser resolvidas e quando você consegue ver tudo isso, é impossível desver. E se não formos nós, quem será? Se não for agora, quando?”, destaca.

 

Texto: Thaíne Belissa

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