01/07/2026
Natura cria negócio B2B para comercializar bioingredientes da Amazônia
A Natura lançou a Natura Ingredientes, uma startup B2B voltada à comercialização de bioingredientes amazônicos que excedem a demanda interna da companhia. A nova vertical ficará responsável por conectar a sociobiodiversidade da Amazônia a setores como o alimentício e o de cosméticos, por meio de ingredientes rastreáveis, sustentáveis e provenientes de cadeias éticas de produção.
O negócio nasceu de um problema operacional: as comunidades parceiras da Natura produzem mais do que a empresa consegue absorver, e o excedente acabava sendo comercializado pelos próprios produtores sem qualquer suporte estruturado. Foi aí que a Natura enxergou a oportunidade de colocar sua infraestrutura a serviço dessa conexão, beneficiando tanto os produtores quanto outras indústrias interessadas em insumos amazônicos.
Defesa do território
José Manuel Silva, vice-presidente de Novos Negócios da Natura, resumiu a proposta em entrevista à Época Negócios: “Quando permito que uma comunidade escoe a produção excedente que não vendeu para a Natura, estou ajudando a evitar que outro capital entre nessa operação apenas para capturar valor. É uma forma de defender território e, ao mesmo tempo, potencializar a bioeconomia”.
Com um portfólio inicial de 24 espécies amazônicas, a Natura Ingredientes encerrou seus primeiros seis meses de operação piloto com cerca de oito parcerias firmadas, nacionais e internacionais, e aproximadamente 20 toneladas de bioingredientes comercializados. Os mercados prioritários são os de cosméticos e alimentos, enquanto a entrada no setor farmacêutico é tratada como uma perspectiva de longo prazo.
A iniciativa da Natura se insere num movimento crescente de empresas que buscam integrar sustentabilidade e impacto real às suas cadeias produtivas. Nessa mesma direção, a Floresta MOL, projeto de restauração florestal desenvolvido pela MOL Impacto em parceria com a SOS Mata Atlântica e 12 marcas parceiras, é outro exemplo de como o setor privado pode atuar ativamente na recuperação de biomas brasileiros.
Entre o início de 2023 e o final de 2025, o projeto alcançou 50 mil mudas plantadas, e tem como meta dobrar esse número até 2027. Com potencial de retirar 16 toneladas de carbono da atmosfera, a Floresta já faz os produtos da MOL serem carbono negativo.
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