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15/06/2026

Funcionários sem espaço para gerar impacto têm quase 5 vezes mais chance de pedir demissão, aponta pesquisa

Empresas que permitem a seus colaboradores gerar impacto real colhem resultados melhores em engajamento, retenção e desempenho. A conclusão é de um estudo citado neste mês de junho pela Harvard Business Review, conduzido pelos pesquisadores Jordan Nielsen, Daniel D. Goering, Kinshuk Sharma e Jason P. Orgill com base no acompanhamento de mais de 1.000 profissionais em regime de tempo integral e em funções variadas.

De acordo com o estudo, funcionários que se sentem impedidos de fazer a diferença no dia a dia apresentam uma queda no comprometimento. Esse grupo é 60% mais propenso a reduzir o esforço nas tarefas diárias, 20% menos propenso a falar bem da empresa para amigos, familiares ou clientes e quase cinco vezes mais propenso a pedir demissão em até um ano.

Inversamente, quando líderes comunicam uma missão inspiradora e ajudam o colaborador a enxergar como seu papel se conecta a esse propósito maior, forma-se o que os pesquisadores chamam de contrato ideológico. Esse vínculo, segundo o estudo, é capaz de impulsionar o engajamento contínuo, aumentar vendas, reduzir o esgotamento profissional e atrair melhores talentos para a organização.

Um dos principais obstáculos identificados é a chamada burocracia coercitiva, uso de regras rígidas, protocolos excessivos e sanções punitivas como forma de controle. Esse modelo tende a deixar o funcionário de mãos atadas, incapaz de atender os clientes da forma que eles precisam. Isso gera um nível de frustração em relação a empresa e ao impacto real que o profissional poderia estar gerando.

Como promover impacto

Para evitar esse cenário, os autores do estudo recomendam que as lideranças observem de perto a rotina operacional e busquem o aconselhamento de funcionários da linha de frente e gerentes na elaboração de novas políticas. Por estarem no centro da operação, esses profissionais costumam conhecer melhor as reais necessidades dos clientes e, por isso, têm condições de ajudar a desenhar estruturas que alavanquem o impacto e sua percepção.

A pesquisa reforça que o propósito não se sustenta apenas em declarações de missão das empresas, mas nas estruturas cotidianas que permitem aos funcionários agir de acordo com ele. 

Algumas empresas já encontraram formas concretas de criar esse canal de impacto. A MOL Impacto, por exemplo, trabalha com produtos sociais: itens cujas vendas geram doações para causas sociais, permitindo que cada colaborador que vende esses produtos em varejos e lojas parceiras sinta que seu trabalho vem gerando impacto positivo e real na vida de quem precisa. 

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