17/08/2023
IA e filantropia: como o ChatGPT ajuda o terceiro setor?
Desde o lançamento do ChatGPT em 2022, a inteligência artificial generativa tem evoluído rapidamente, transformando não apenas o mundo dos negócios, mas também setores tradicionais e organizações filantrópicas. Hoje, em 2025, ferramentas como o ChatGPT, Bard do Google e outras soluções de IA já estão sendo integradas de forma prática em diversas instituições, incluindo aquelas que atuam na saúde, educação e assistência social.
Para a futurologista Ligia Zotini, tecnologias como o ChatGPT representam uma mudança de paradigma: “As transformações não chegam mais em degraus, mas em saltos. Organizações de todos os setores precisam se preparar para adotar essas ferramentas de forma estratégica.”
Mesmo que o terceiro setor ainda enfrente desafios na implementação de novas tecnologias, algumas organizações já mostram avanços. Um exemplo é a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale). Segundo Catherine Moura, médica sanitarista e CEO da Abrale, a instituição utiliza a inteligência artificial para otimizar recursos, ampliar o acesso a informações e apoiar a triagem e diagnóstico precoce de doenças, sobretudo em regiões com acesso limitado a profissionais especializados.
“Temos explorado o uso de IA para melhorar a qualidade do atendimento clínico, colaborar em pesquisas e até no desenvolvimento de novos medicamentos. É uma evolução que nos permite ampliar o impacto de nossas ações sem comprometer a segurança ou a confiabilidade das informações”, afirma Catherine.
Usos do ChatGPT
Se, por um lado, algumas aplicações de IA ainda parecem um pouco distantes, por outro, o uso de ferramentas como ChatGPT estão bem mais próximos do dia a dia das organizações. O ChatGPT já está em sua quinta versão e pode ser usado gratuitamente.
Sobre os possíveis usos da IA generativa no setor filantrópico, o próprio ChatGPT faz algumas sugestões. Em resposta à pergunta “como o ChatGPT pode auxiliar o setor de filantropia”, ele sugeriu a análise de dados para fornecer insights sobre tendências, padrões e desafios enfrentados pelo setor.
Além disso, como qualquer outra organização que tem seus desafios internos, as instituições do terceiro setor podem usar a inteligência artificial em ações de rotina, como conteúdo para as redes sociais, criação de job descriptions para processos seletivos e suporte de briefing para desenho de novos projetos.
Ligia Zotini observa que, no terceiro setor, a IA ainda é mais utilizada para produção de textos e insights iniciais, como textos de agradecimento a doadores, mas há grande potencial de expansão: “O ChatGPT pode ajustar o tom de uma comunicação de acordo com diferentes públicos, gerando conteúdos mais personalizados. Mas é essencial que especialistas revisem e validem todas as informações.”
A mesma aplicação sugere Diogo Cortiz, que é cientista cognitivo, professor da PUC-SP e pesquisador do NIC.br. Ele afirma que a inteligência artificial generativa pode ser usada para a construção de diversos conteúdos nas organizações filantrópicas, como uma proposta de arrecadação de fundos para um projeto específico.
“O ChatGPT pode ser muito útil para trazer insights e gerar as primeiras versões de textos. Por outro lado, é importante lembrar que se trata de uma ferramenta poderosa que sabe manusear bem as palavras, mas não é um repositório de conhecimento. Então tem que ter muito cuidado na hora de receber as respostas. O mais importante é que sempre tenha uma pessoa especialista para avaliar se aquela resposta faz sentido ou não”, alerta.
Exatamente o que tem acontecido na Abrale. Segundo Catherine, a organização tem estudado usos do ChatGPT, mas com muito cuidado, uma vez que todo o conteúdo produzido precisa ser pautado em evidências científicas.
“Temos usado a plataforma em nossos pilares de atuação, que são apoio ao paciente, educação e informação, políticas públicas e advocacy, e pesquisa e monitoramento de dados. Porém, embora o sistema ofereça soluções inovadoras, ainda vemos com cautela alguns pontos essenciais. Por exemplo, pensando especificamente na construção de conteúdos voltados ao nosso público, os pacientes, ainda optamos por nos orientar em evidências técnico-científicas e escutar os especialistas do setor, que fazem parte do nosso Comitê Médico e Multiprofissional”, pondera.
Texto: Thaíne Belissa
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