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14/04/2023

Greenjobs: as mudanças e oportunidades na carreira em sustentabilidade no Brasil

Cada vez mais transversal às áreas de atuação, a carreira em sustentabilidade passou por uma grande transformação nos últimos anos. Na medida em que os negócios entendiam seu compromisso social e ambiental, também começaram a demandar talentos que apoiassem essa mudança de postura. Em pouco tempo, os empregos na área de sustentabilidade ganharam grande demanda e chamaram a atenção da nova geração, que vislumbra um futuro do trabalho mais verde do que nunca.

De acordo com o estudo “Os jovens buscam a economia verde”, publicado pela Accenture em 2022, 88% dos jovens brasileiros entre 15 e 39 anos aspiram a um emprego na economia verde nos próximos 10 anos. A pesquisa também cita uma publicação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (IDB), que aponta que, até 2030, 22,5 milhões de oportunidades de emprego estarão disponíveis na agricultura e produção de alimentos, eletricidade renovável, produtos florestais, construção e manufatura.

Um novo perfil de profissional ESG

Muito diferente do que se entendia por empregos ambientais e sociais há poucas décadas, essas oportunidades são voltadas para um novo perfil de profissional, alinhado principalmente à noção de Environmental, Social and Corporate Governance (ESG), conforme explica Fernanda Nogueira, sócia da Tailor, consultoria de caça talentos com sedes em Belo Horizonte e São Paulo.

“Sempre tivemos áreas focadas em meio ambiente, segurança e saúde, mas tivemos que ampliá-las por conta da demanda e também modificá-las, trazendo os conceitos de social, governança e sustentabilidade”, afirma. Na área de meio ambiente, por exemplo, se antes o foco estava principalmente em temas ligados à água e à estrutura geotécnica, agora é necessário incluir mais conhecimento em mudanças climáticas e emissão de CO2. Já no social, não basta mais falar em “relação com a comunidade”. Agora, é preciso ter conhecimento e atuação em direitos humanos.

“Hoje, a demanda de executivos na área de sustentabilidade vem principalmente de grandes empresas preocupadas com a divulgação de resultados para os stakeholders. Mas isso vai ampliar. Acredito que, em pouco tempo, qualquer empresa que não se preocupe com social, meio ambiente, governança e pessoas não vai atrair mais nenhum tipo de investimento. O avanço nessa área está totalmente atrelado ao desempenho e resultado dos negócios”, afirma Fernanda.

Formação de executivos para o futuro

Se a forma de “caçar talentos” mudou, a formação desses profissionais também precisou se adaptar. Foi o que aconteceu, por exemplo, na Fundação Dom Cabral (FDC), uma das maiores escolas de formação de líderes do Brasil. De acordo com Heiko Spitzeck, gerente do Núcleo de Sustentabilidade da FDC, o Executive MBA da escola passou por reformas nos últimos anos para incorporar a sustentabilidade de maneira transversal ao currículo.

“A abordagem é integrada às disciplinas. Estamos preocupados em educar líderes responsáveis que constroem confiança com vários públicos, não apenas acionistas. Formamos líderes mostrando que sustentabilidade é importante para o negócio e que não é algo ‘de bicho-grilo’, mas uma questão estratégica para o diretor financeiro da empresa”, destaca.

Da gestão de risco à inovação

O mercado de sustentabilidade já passou por fases distintas. Inicialmente, buscava profissionais de ONGs, os chamados “onguistas”, mas esse modelo teve dificuldades de adaptação à lógica do negócio. Depois, a contratação de gerentes focava principalmente nos riscos socioambientais, preocupação que ainda é dominante.

Hoje, o foco começa a se expandir para a inovação e oportunidades. “Estamos falando de uma liderança com apetite para se destacar no tema e usá-lo como diferencial competitivo. É nessa fase que entra o intraempreendedorismo dos executivos de sustentabilidade. As empresas vão precisar apoiar esses talentos para que pensem em novos produtos e soluções sustentáveis. O futuro está aí; o resto é apenas gestão de risco, e todo mundo já faz”, finaliza Heiko.

Por Thaíne Belissa

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