22/06/2026
A um ano da Copa Feminina no Brasil, 70% das jogadoras ainda dependem de dupla jornada para sobreviver
No auge da atenção voltada à seleção masculina durante a Copa do Mundo, o Instituto Brasileiro de Futebol Feminino (IBFF) lançou o manifesto “2027: Pelo Direito ao Topo“. Produzida pela Cine, com apoio da SporTV, a campanha joga luz sobre as milhares de atletas que ainda precisam dividir o sonho dos gramados com um segundo emprego e marca o início da contagem regressiva para a Copa do Mundo Feminina, que o Brasil sediará entre junho e julho de 2027.
O manifesto apoia seu argumento em números que expõem a distância entre o crescimento da modalidade e as condições reais de quem a pratica. 70% das jogadoras são obrigadas a manter uma segunda ocupação para pagar as contas, rotina que eleva em 35% o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e em até 80% o de burnout. Mesmo assim, o salário médio das jogadoras gira em torno de R$ 10 mil, cerca de cem vezes menor que a média do futebol masculino. Para a maioria das atletas de clubes da Série A do Brasileirão Feminino, o valor é ainda mais baixo.
Esses números são consequência direta da ausência de uma estrutura profissional equivalente à oferecida aos homens: contratos estáveis, salário compatível com a dedicação exigida, expansão das transmissões e investimento de patrocinadores para sustentar o crescimento da área.
Ao lançar a campanha um ano antes da Copa, o IBFF se posiciona como liderança ativa na articulação por melhorias estruturais e na construção do legado social da competição. “Mais do que sediar um evento esportivo global, o Brasil precisa demonstrar capacidade de transformar visibilidade em estrutura”, afirma Andrea Sucupira, presidente do Instituto.
Na prática, essa luta contra a invisibilidade estrutural da modalidade já havia ganhado mais um capítulo concreto em maio, com o anúncio da criação da IBFF Academy, primeira plataforma de educação gratuita voltada ao crescimento do ecossistema do futebol feminino no Brasil. O portal oferecerá cursos de formação e desenvolvimento para treinadoras, árbitras, preparadoras físicas e outras profissionais da área.
Público cresce mais rápido que a estrutura
A desigualdade estrutural contrasta com o interesse crescente do público pela modalidade. Uma pesquisa publicada pelo Grupo Globo em novembro de 2025 revelou que o futebol feminino brasileiro não apenas exporta talento, mas também entrega um público altamente engajado: os fãs da modalidade compram mais, são mais fiéis aos patrocinadores e têm maior facilidade de lembrar das marcas parceiras na hora da compra.
Essa audiência, majoritariamente feminina (54%), não para de crescer: a transmissão do Brasileirão Feminino registrou salto de 19% na audiência em relação ao ano anterior, com o tempo de tela entre o público jovem subindo 37%.
O desempenho em campo acompanha esse engajamento. No ranking mundial da IFFHS (International Federation of Football History and Statistics), o Brasil reúne dois dos melhores clubes do mundo, com o Corinthians na vice-liderança e o São Paulo na sexta posição. O resultado ajuda a explicar como os clubes seguem competitivos, mesmo diante da falta de estrutura e de apoio comercial ao futebol feminino.
Torne-se uma
Marca Com
Causa
Se a sua marca quer gerar valor real para a sociedade e ainda se conectar com uma comunidade engajada, venha fazer parte desse movimento com a gente
Entre em contato