05/08/2026
51% dos brasileiros reprovam influenciadores que anunciam apostas, revela pesquisa
Mais da metade dos brasileiros (51%) tem uma visão negativa de influenciadores que fazem publicidade para casas de apostas. Outros 40% dizem confiar menos em qualquer artista, atleta ou produtor de conteúdo que aceite esse tipo de contrato. Apenas 10% têm opinião positiva sobre esses influenciadores. Os números são de um levantamento da ONG britânica More in Common em parceria com o instituto Ipsos-Ipec, que ouviu 2 mil pessoas em 130 municípios brasileiros em julho de 2026.
Em respostas espontâneas, a crítica recai sobretudo sobre a ética da prática: 22% classificam esses influenciadores como “irresponsáveis” ou “sem ética”, e 17% os descrevem como uma má influência que se aproveita do público.
A rejeição é ainda maior entre os públicos que mais interessam aos anunciantes: chega a 59% entre quem ganha mais de 5 salários mínimos e a 58% entre quem tem ensino superior.
Para Pablo Ortellado, diretor-executivo da More in Common no Brasil, esses números escondem um cálculo arriscado por parte de quem assina esses contratos publicitários. “A receita imediata da publicidade de apostas é alta, mas a erosão de confiança é elevada. O influenciador troca, portanto, um ganho certo hoje por um desgaste de reputação no público que sustenta sua própria capacidade de monetização no futuro”, afirma Ortellado.
Casos recentes ajudam a explicar essa desconfiança. Uma investigação do Intercept Brasil revelou que o ex-BBB Felipe Prior recebia comissão sobre as perdas financeiras de apostadores que ele próprio indicava a uma casa de apostas. Em 2025, a influenciadora Virgínia Fonseca reconheceu, em depoimento à CPI das Bets, ter usado contas falsas para simular lucros em apostas enquanto se apresentava como referência de jogo responsável.
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